Fonte: Zero Hora
Dorival Júnior não consegue esconder uma ponta de decepção pelas constantes perdas de jogadores ao longo da temporada. Após vencer o Coritiba na abertura do Brasileirão, o técnico do Inter precisou buscar garotos da base para conseguir formar a delegação com 18 atletas que, a partir das 18h30min deste sábado, enfrentará o Flamengo, no Engenhão. Oscar e Damião, com a Seleção Brasileira, e João Paulo, lesionado, somam-se aos desfalques de D'Alessandro, Sandro Silva, Kleber e Bolívar.
Espera reforços e, sobretudo, torce para parar de perder jogadores na temporada. Nesta entrevista a ZH, concedida por 25 minutos, na quinta-feira à tarde, na sala de preleções do Beira-Rio, tendo ao fundo o barulho de brocas e furadeiras da Andrade Gutierrez, o treinador do Inter revela ainda esperanças de conquistar o Brasileirão, volta a demonstrar decepção com Jô e Jajá e conta que Kleber poderá transformar-se em armador, devido às lesões de D'Alessandro e à presença de Oscar nos Jogos de Londres. A seguir, os principais trechos:
Zero Hora — O grupo atual tem condições de ser campeão — mesmo com desfalques?
Dorival Júnior — Minha expectativa é que possamos recompor o mais rápido possível o elenco. Temos sete jogadores fora. Isso vem nos perseguindo ao longo da temporada. Perdemos todo o meio-campo de uma vez só. Uma recomposição rápida acaba gerando problemas. Futebol é grupo completo e definido. É claro que você vai perder um ou dois jogadores por rodada, mas no nosso caso está demais. Não temos nem 18 jogadores para jogar com o Flamengo, tive que chamar os meninos da base. Se tivermos o grupo recomposto, vamos brigar pelo campeonato.
ZH — O senhor tem a promessa de recomposição até quando?
Dorival — Não estipulamos prazo. Precisamos de jogadores que venham brigar pela titularidade.
ZH — Nilmar, Lúcio e Luiz Adriano são contratações possíveis?
Dorival — Possíveis, são, assim como outras. Estão sendo trabalhadas, cada uma com um grau de dificuldade, mas nada que esteja definido.
ZH — Acredita que terás o Damião também para o segundo semestre ou ele será negociado?
Dorival — É justamente em cima disso que um time que quer se preparar para ser campeão deve estar pronto. Se há a iminência de perdê-lo temos que fechar essa lacuna. No momento, não há nada, mas se acontecer e a vaga tiver sido preenchida, minimizaremos esse problema. Seria uma grande perda.
ZH — Quando Jajá voltará ao grupo?
Dorival — Ainda não há uma previsão. Ele terá de provar que quer recuperar-se e que esteja fazendo por merecer uma nova oportunidade.
ZH — Jô foi uma decepção pessoal para o senhor?
Dorival — Me decepcionou ao extremo. Mesmo quando ele estava tendo muitas dificuldades na readaptação, foi mantido em campo para que buscasse uma adaptação completa. Teve um primeiro erro, conversamos muito sobre isso e, agora, ele praticamente procurou essa nova situação, mesmo sabendo que havia tido um erro pesado, e que poucos clube teriam a paciência que o Inter teve. Espero que ele seja feliz em outro local, mas me causou profunda decepção.
ZH — Era possível ter seguido adiante na Libertadores?
Dorival — A perda constante de jogadores importantes atrapalhou a campanha. O meio-campo praticamente se desfez. Contra o Flamengo, teremos os mesmos problemas, o que é uma tônica desde janeiro. Perdemos Tinga na pré-temporada, depois Nei, D'Alessandro, Guiñazu e Oscar. Não consigo ter os jogadores no mesmo momento. Não é uma lamentação, mas o equilíbrio da equipe foi comprometido. Fizemos uma grande estreia no Brasileirão e, no jogo seguinte, já perdemos Oscar, Damião e João Paulo. Uma pena. Na Libertadores, realmente poderíamos ter ido melhor na fase inicial. Contra o Fluminense, fomos superiores. Merecíamos ter passado pelo Fluminense.
ZH — Problemas à parte, não há como tirar um coelho da cartola? Inventar algo diferente, refazer o time enquanto não chegam os reforços?
Dorival — É difícil encontrar esse ponto. Não é simples entrar com a equipe mais defensiva, como fizemos contra o Santos (derrota por 3 a 1, na Vila Belmiro, pela Libertadores) e não tivemos sucesso. Tínhamos três volantes e não conseguimos marcar o Santos no primeiro tempo. Mudanças contantes quebram a regularidade do time. Não há mágica.
ZH — Fabrício está afirmado na lateral. Kleber, quando estiver recuperado, pode ser meia?
Dorival — Pode, sim. É uma possibilidade.
ZH — Você enfrentará um Flamengo que parece viver uma crise sem fim.
Dorival — Esqueçam essa crise. Teremos um jogo de alto nível e de extrema dificuldade.
ZH — E Ronaldinho?
Dorival — É diferenciado. Quando esteve com a carreira totalmente focada, foi um referencial. Vive um momento conturbado.
FICHA TÉCNICA
FLAMENGO X INTER
Brasileirão 2012 — 2ª rodada — 26 de maio de 2012
Local: Estádio do Engenhão, no Rio de Janeiro
Horário: 18h30min
ESCALAÇÕES:
FLAMENGO
Paulo Victor; Léo Moura, Welinton, Marcos Gonzáles e Wellington; Luiz Antônio, Airton, Kleberson e Ibson; Ronaldinho e Vagner Love. Técnico: Joel Santana
INTER
Muriel; Nei, Moledo, Índio e Fabrício; Elton, Guiñazu, Josimar e Dátolo; Dagoberto e Gilberto. Técnico: Dorival Júnior
Arbitragem: André Luiz Freitas Castro (Goiás), auxiliado por Fábio Pereira (Tocantis) e Jesmar Benedito Miranda de Paula (Goiás).
O jogo no ar: a Rádio Gaúcha abre a jornada às 17h45min. Os canais SporTV, SporTV HD e PFC 3 transmitem ao vivo. Acompanhe o minuto a minuto ao vivo em zerohora.com/esportes